Literatura propõe conversa com a História

16 maio

“ARTE ENGAJADA NA ARTE…?”

Proposta para uma conversa no Grupo de Pesquisa História, Literatura e Sociedade. | Dia 23 de maio de 2012, às 17h (Sala 310,Bloco D, CFH- UFSC). | Coordenação da discussão: Eleonora Frenkel (Doutora em Teoria Literária pela Universidade Federal de Santa Catarina)

Como o historiador se apropria do texto literário? Esta me parece ser uma pergunta candente para a articulação pensada entre os estudos históricos e a literatura. O texto literário é fonte de pesquisa? O que ele nos informa sobre um contexto histórico-social? O que ele nos diz sobre os posicionamentos ideológicos de quem o escreve? Como ele intervém no campo de batalha da política?

Essas perguntas possivelmente orientem para uma concepção da literatura como meio de expressão, como veículo de comunicação, como ferramenta através da qual o autor tem a intenção de comunicar um sentido e de intervir nos debates de um espaço-tempo determinados através da afirmação de uma convicção. A crítica, por sua vez, talvez se proponha, nessa linha, a desvendar o sentido comunicado, a descobrir a intenção do autor, a reafirmar ou contradizer as convicções expressas.

Posto isso, é provável que se entenda uma oposição entre a dita “arte engajada”, aquela que pactuaria com uma ideologia de esquerda, comprometida com as causas de classes menos favorecidas, e a chamada “arte abstrata”, acusada de hermética, de incompreensível, de elitista, por um pretenso descompromisso com a ação política. Essa seria a clássica oposição entre forma e conteúdo, entre a “mera” elaboração formal de um objeto artístico e a expressão de um conteúdo através da linguagem.

Seria possível diluir essas oposições? Seria possível pensar o gesto político do mote “a arte pela arte”? Vale a pena retomar os deslocamentos provocados por Baudelaire e Mallarmé para pensar a libertação da arte de suas exigências funcionais, bem como as provocações operadas por diversos movimentos de vanguarda artística (futuristas, cubistas, surrealistas…) para dar autonomia a suas criações.

Haveria duas grandes questões a explorar para pensar esses deslocamentos e provocações: a abertura do problema da linguagem como comunicação de sentido e a reflexão sobre a arte como suspensão das convicções discursivas para se tornar espaço de resistência corpórea e de potencialização dos sentidos e significações.

Se a literatura (e a arte) se torna sujeito-objeto de si mesma, se passa a explorar a linguagem de que se faz como um problema e não como um veículo, como um meio que serve para dizer o mundo, se suas concepções e propostas se alteram na modernidade (em relação à concepção clássica da arte como representação, da linguagem como conjunto de signos que contêm a essência das coisas), mudam as perguntas que os estudos históricos farão a ela?

                                                                                                                                                        Eleonora Frenkel

*

***Textos para a conversa estão na pasta “História e Literatura”, no xerox do CFH!

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:

AGAMBEN, G. Baudelaire e a mercadoria absoluta. In: Estâncias. Belo Horizonte:
UFMG, 2007.
BARTHES, R. Da ciência à literatura. In: O rumor da língua. São Paulo: Martins
Fontes, 2004.
______. Escrever, verbo intransitivo? In: O rumor da língua. São Paulo: Martins
Fontes, 2004.
______. O grau zero da escritura. In: Novos ensaios críticos seguidos de O Grau zero
da escritura. São Paulo: Cultrix, s/d.
______. Literatura e significação. In: Crítica e verdade. Tradução de Leyla Perrone-
Moisés, SP: Perspectiva, 1970.
______. A atividade estruturalista. In: Crítica e verdade. Tradução de Leyla Perrone-
Moisés, SP: Perspectiva, 1970.
______. As duas críticas. In: Crítica e verdade. Tradução de Leyla Perrone-Moisés, SP:
Perspectiva, 1970.
______. O que é a crítica. In: Crítica e verdade. São Paulo: Perspectiva, 1970.
______. Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França.
São Paulo: Cultrix, 1993.
BENJAMIN, W. Sobre alguns temas em Baudelaire. In: Charles Baudelaire: um lírico
no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.
______. Experiência e pobreza. In: Magia e técnica, arte e política. São Paulo:
Brasiliense, 1994.
______. O Narrador. In: Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994.
______. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: Magia e técnica, arte
e política. São Paulo: Brasiliense, 1994.
______. O Surrealismo: o último instantâneo da inteligência européia. In: Magia e
técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994.
CHKLOVSKI, V. A arte como procedimento. In: Teoria da Literatura (Formalistas
russos). Poa: Globo, 1971.
DERRIDA, J. A estrutura, o signo e o jogo no discurso das ciências humanas. In: A
escritura e a diferença. São Paulo: Perspectiva, 1995.
MAIAKOVISKY, V. Como fazer versos. In: Poética. São Paulo: Global, 1977.

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